Ministros que são candidatos terão que sair e quem deve entrar terá que assumir compromissos e fidelidade política ao MDB e ao Presidente Temer

Tá difícil negar que Temer é candidato à reeleição para presidência da República. Ele mesmo já adotou o tom de candidato nas suas mais recentes aparições públicas.

Semana passada no interior de São Paulo, em cerimônia de entrega de ambulâncias do SAMU, disse em alto e bom som: “Nosso slogan é Ordem e Progresso. Pois bem, o Progresso já conquistamos com a retomada do crescimento da econômico, geração de novos postos de emprego e controle da inflação. Agora chegou a vez de colocar a casa em ordem” disse, numa clara referência à intervenção no Rio de Janeiro e a criação do Ministério Extraordinário da Segurança Pública.

Se alguém tinha dúvida de que ele quer ser candidato, depois essa declaração, já não tem mais.

Tanto o próprio Temer quanto o seu MDB acham que o governo tem um legado e se não tiverem um candidato para defender esse legado, jogarão todo o trabalho feito nesse tempo à frente da Presidência da República no lixo, com prejuízos políticos/partidários imprevisíveis.

E, cá pra nós, nisso eles estão certos. Se não for o Temer ou alguém que tope defender esse legado, quem o fará?

Pelo que sabemos, ninguém.

O MDB é o maior partido, tem o maior fundo partidário, o maior tempo de rádio e TV, tem a caneta da presidência da República nas mãos, sabe fazer política, com certeza não vai deixar barato.

Desde 1990 que o partido de Temer não tem candidato à presidência. O último foi o saudoso Ulisses Guimarães, naquele pleito onde Collor de Melo foi eleito vencendo Lula no segundo turno. De lá pra cá só serviu de escada para outros partidos e seus candidatos. Agora quer tentar de qualquer jeito.

Se não for com Temer – que possui uma das maiores taxas de rejeição da história de um presidente da Republica – será com outro candidato. Contanto que este se filie ao partido e defenda este seu legado à frente do mandato tampão de pouco mais de dois anos, conquistado com o impeachment de Dilma.

Caso não seje ele, uma das opções é o ministro da Fazenda Henrique Meireles, hoje filiado ao PSD de Kassab, que ocupa o ministério da Ciência e Tecnologia.

Kassab ensaia apoio à candidatura de Alckmin do PSDB e atual governador de São Paulo. O ministro estaria negociando o apoio do seu partido ao candidato tucano e, em troca, seria vice na chapa do PSDB ao governo de São Paulo. Para isso tem que sair do ministério no início de abril.

Assim como outros ministros que pretendem sair para se candidatarem, Temer e o MDB já avisaram que, podem sair, mas só indicam o sucessor se garantirem o apoio ao candidato à presidente do governo, seja ele quem for o escolhido. O recado é claro: é dando que se recebe.

Como podemos observar, a temperatura tende a esquentar ainda mais, no cenário político Nacional nos próximos dias.

E Temer mostra toda a sua habilidade política, mesmo quando muitos achavam que ele estava mortinho da silva.

Agora, depois de mudar a pauta do seu governo, sepultando a reforma da Previdência e elegendo a Segurança Pública como seu novo carro chefe, acena com bilhões de verbas para governadores se prefeitos na busca de mais e mais apoio ao seu projeto político pessoal, endossado pelo MDB.

Como em política tudo é possível, não podemos descartar nada.

Quem viver, verá!

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