Por José Carlos Menezes – 

 
Renato Russo, a pergunta que não quer calar.

A pergunta, que está na música escrita por Renato Russo em 1978, tem sido feita desde então a exaustão, mas ainda é válida se abandonarmos os chavões nas respostas. Os fatos que assistimos todos os dias, já bem anestesiados, os relatos sobre tiroteios diários onde morrem policiais, mulheres grávidas, crianças, bandidos… são na verdade uma guerra urbana, que parece não ter fim, temperada pelo surgimento de doenças que já tinham sido (quase) extintas no século passado, como coqueluche, sarampo, febre amarela e outros que fazem a sua reentrada em nossas vidas.

Especialistas de todo o tipo surgem na mídia com soluções para todas as nossas mazelas. A classe política atordoada, acuada pelos justiceiros do judiciário, tarda ou sequer oferece, soluções realistas para o nossos urgentíssimos problemas.

Para muita gente tudo se resume em escolher “a pessoa certa, um político honesto” e assim tudo se resolverá, pois afinal, todos os nossos problemas existem por termos votado nas pessoas erradas. Me preocupa o fato da população não se organizar em revolta “contra tudo isso que está aí” e, muito mais que isso, que ninguém se apresente (enquanto candidato) para dizer francamente a nação, que estamos dançando à beira do abismo. Vai ser preciso chegarmos a uma Venezuela, embora não estejamos aqui falando em ditadura, mas em caos econômico e social?

Me preocupa que todo tipo de “especialistas”, e a população em geral, continuem falando em ações especificas, para resolver os nossos problemas, quando – na verdade – o que precisamos mesmo é de soluções bem mais amplas do que fazer uma lei aqui, outra acolá. Não precisamos de mais leis, precisamos apenas que o povo cobre, torne efetivas as suas cobranças, dos eleitos, dos que querem ser eleitos, dos governantes no executivo e no legislativo.

Um dos setores que mais precisa despertar para essa realidade é a imprensa, a mídia tradicional, que – pelos noticiários e principalmente pelos seus “comentaristas”– parece estar participando diretamente do processo eleitoral – longe de oferecer a população informação crítica. Informar como o mundo funciona de verdade.

Sem participação ativa da população o que vamos ter é a ditadura da toga, principalmente a turma do STF, cujo andamento qualquer um pode observar, pois os ilustres magistrados não cansam de expressar suas opiniões e – mais que isso – interferir, ao bel prazer e de acordo com as suas convicções pessoais, o que é melhor para o Brasil e como devem se comportar governantes e – por consequência – os governados.

 
A população precisa tomar de fato o poder. E mudar o Brasil de verdade

Precisamos de uma reforma eleitoral que nos permita votar objetivamente em determinados candidatos e que os traga para mais perto dos eleitores, que devem adquirir o poder de colocar qualquer um em recall, substituindo-os assim que derem o mínimo sinal de não estarem atendendo aos anseios da população e descumprindo suas promessas de campanhas. Incluir aí membros do judiciário, que estiverem traindo a Justiça. Precisamos de muitos referendos, muitos e constantes, para aprovarmos ou não o que acharmos importante, sem deixar nas mãos do legislativo a “feitura” de todas as leis, principalmente aquelas mais importantes, que terão consequências de porte na vida da população brasileira.

É assim que podemos colocar (e não me atrevo a dizer “de volta”) nas o poder nas mãos dos cidadãos, ainda que através (e não diretamente) do seus representantes no executivo e no legislativo.

É certo também que só nos salvaremos se enriquecermos rapidamente. Ainda que o grau de sobrevivência do brasileiro seja algo a se debruçar, a verdadeira sobrevivência está no enriquecimento da população (toda ela) e isso não tem nada a ver com contribuições/mesadas dadas pelo governo que permitem apenas que grandes segmentos dos cidadãos não morram, imediatamente, de fome. Deixemos que os brasileiros interfiram mais nas decisões de governo e a bendita frase do título poderá ser dita, gritada mesmo, com orgulho e não – como hoje – como um lamento e uma desesperança.

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