É ministro ou advogado?

Quem viu o início do voto proferido pelo ministro do STF Marco Aurélio de Mello no julgamento do HC de Palocci, na sessão dessa quinta-feira 12, teve a ligeira impressão de que se tratava de um defensor do réu ou paciente, como eles tratam a pessoa em questão.

Começou elogiando o currículo do ex-ministro. Isso é papel de juiz da Suprema Corte?

Fica parecendo que tem algum interesse direto nos bons resultados conseguidos bela banca de advocacia que representa o tal paciente. Por sinal esse comportamento não é só dele. Tem mais quatro que vão na mesma toada.

PP “compra” deputados por 2,5 milhões

Com a janela partidária, o PP passou a ter segunda maior bancada no Congresso com 48 parlamentares. Mesmo sendo recordista em réus na Lava Jato, o partido de Ciro Nogueira atraiu 10 novos deputados prometendo 2,5 milhões para a campanha de cada um. Uma espécie de “compra”. Afinal de contas com um caixa de 134 milhões tem dinheiro público suficiente para jogar pela janela sem maiores constrangimentos. Só isso explicaria um partido com grande envolvimento na Lava Jato atrair tantos deputados.

 Por sinal, contra a Lava Jato, conta com o ministro Dias Toffoli  na presidência do Supremo. Por que será?

Com a “caneta na mão” DEM dobra de tamanho 

Com um enfraquecimento das maiores legendas após os esquemas de corrupção desbaratados por operações da Polícia Federal como a Lava Jato, o DEM aproveitou o vácuo e dobrou de tamanho, passando de 21 para 42 deputados. O partido vem ganhando espaço desde a chegada de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara. Paulo Gontijo avalia que a chegada de Maia ao cargo ajudou nesse crescimento. “É um partido que está com a caneta não mão. Com força e menos desgastado, e não me espantaria se fosse a maior ou a segunda maior bancada”, afirmou o especialista.

A possível candidatura de Maia à Presidência da República este ano também ajudou a aumentar a bancada, que deve crescer ainda mais na visão do representante do partido na Casa. “Nas eleições deste ano, nossa expectativa é eleger uma bancada de cerca de 40 nomes, grupo que dará sustentação política ao presidente, que, acredito, também será do Democratas”, afirmou Rodrigo Garcia (SP), líder do DEM na Câmara.

Partido no poder, PMDB perde deputados

O MDB do presidente Michel Temer perdeu 20% de sua bancada e contará com 52 deputados, segundo a assessoria de imprensa do partido. O número ainda não estaria fechado. Em 2014, quando Temer ainda era vice da ex-presidente Dilma Rousseff, a legenda tinha 65 deputados.

Com a maior perda absoluta entre os partidos (13 a menos), o encolhimento da legenda atrapalhará ainda mais os planos do governo federal, que depende do Congresso para aprovar projetos.

“A fraqueza do presidente Temer reflete bastante nisso. Há um desgaste generalizado principalmente no PT, MDB e PSDB, e o governo de turno do MDB tem figura a mais mal avaliada na presidência. Isso respinga nos deputados”, avalia Paulo Gontijo, presidente do movimento Livres. “Marca MDB está queimada, e como a base é muito pouco orgânica, todo mundo pulou fora”, disse.

Com a dança das cadeira “Fora Temer” não vai precisar manifestações de rua

Com a dança das cadeiras na janela partidária que se abriu no mês de Março, o presidente Temer e seu partido o MDB saíram mais que enfraquecidos. Nunca se viu um partido no poder assistir uma revoada de deputados como neste governo. Se enfrentar mais uma denúncia no supremo a situação do presidente é insustentável. Depois de sobreviver a duas outras denúncias a duras penas e tendo que distribuir cargos e recursos públicos para conseguir apoios, Temer agora não teria mais o que oferecer e ainda conta com o seu então aliado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados como pré candidato à presidência e maior interessado em vê-lo saindo pelas portas do fundo do Palácio do Planalto.

Palocci perde no STF por 7 X 4 e Lava Jato sai vitoriosa

Com a derrota de Palocci no STF, que negou um habeas corpus pela sua soltura, saem fortalecidos a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Juiz Sérgio Moro e a Lava Jato como um todo.

Isso porque ao negar o HC o STF concorda com a decretação da prisão preventiva em casos como o do ex-ministros, em função da gravidade dos fatos arrolados para a sua condenação em primeira instância e do perigo que representaria caso estivesse solto.

Palocci esta preso na sede da PF em Curitiba, mesmo prédio em que cumpre pena o ex-presidente Lula.

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