Tempos estranhos, esses.

Em carta à direção do partido, Lula liberou o PT de tê-lo como candidato, mas o PT, por enquanto, não abriu mão de tê-lo como candidato.

Michel Temer começará a viajar pelo país na condição de aspirante à reeleição pelo PMDB, mas o partido não quer saber dele.

Aécio Neves depôs mais uma vez à Polícia Federal e insiste em concorrer a uma vaga no Senado, mas o PSDB torce para que ele desista.

Sem data marcada para que o pano caia sobre elas, as três peças seguem em cartaz, exemplos notáveis do teatro absurdo da política nacional.

Elas são um fracasso de público – mas quem se importa com isso? Importa ao elenco marcar presença na boca do palco.

Sabe-se lá o que poderá acontecer amanhã… O mundo dá muitas voltas e sempre poderá sobrar uma boquinha para quem permanecer em cena.

O PT trocou o discurso de “eleição sem Lula é fraude” pelo discurso de “Lula livre”. O primeiro só faria sentido se o partido estivesse disposto a ficar de fora das eleições.

O PMDB está à procura de um candidato que concorde em defender o governo de Temer em troca do seu apoio e do seu tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

O PSDB vê aprofundar-se a crise interna mais séria de sua história. Tem um candidato para chamar de seu, mas não se une em torno dele. Depois de 20 anos no poder em São Paulo, irá para a oposição.

A seção mineira do partido rola ladeira a baixo, empurrada por um Aécio cada vez mais encrencado. Sem um palanque forte ali, Geraldo Alckmin não irá a lugar algum, a não ser para Pindamonhangaba.

Tempos estranhos, esses.

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