Por José Américo Moreira da Silva* –

Em conversa reservada com um tucano de alta plumagem ouvi a frase que transformei no título desse texto.

Segundo esta minha fonte engana-se quem acha que Alckmin está, apenas, sonhando em ser presidente. Para ele com a bagagem política que tem o ex-governador paulista por quatro mandatos e candidato derrotado para presidente na eleição presidencial de 2006, é uma verdadeira raposa política, capaz de farejar caminhos e alcançar seus objetivos com perspicácia e determinação, invejáveis.

Não é atoa que ao invés de encarrar seu baixo índice de aceitação nas mais recentes pesquisas de opinião sobre o pleito de outubro próximo, faz a leitura daquilo que lhe favorece e convence quem o indaga sobre estes números, apresentando argumentos que constroem outros caminhos para o levar à presidência. Pragmático ele sabe que a situação é desafiadora, mas não impossível de ser vencida.

Fazendo movimentos políticos como se jogasse uma partida de xadrez, articula uma aliança buscando tempo de TV e rádio que lhe dê chances de mostrar a São Paulo que governou e os números que o levaram a se reeleger por duas vezes alcançando quatro mandatos no mais rico e desenvolvido estado brasileiro.

Sua principal jogada é convencer Temer e MDB a virem com ele nessa disputa e garantirem, juntos, a viabilidade de uma candidatura de centro-esquerda que mantenha a estabilidade econômica e dê continuidade às reformas planejadas.

Com a efetivação dessa aliança Alckmin dá cheque mate no DEM, que não terá outra saída senão se unir a eles. Assim traria de uma só vez o presidente da Câmara Rodrigo Maia, o presidente da legenda e expressiva liderança do Nordeste ACM Neto, prefeito de Salvador e neutralizaria a pretensa candidatura do néo-emedebista e ex-ministro da Fazenda Henrique Meireles. Este, um bom nome para vice, contemplando de uma só tacada o setor financeiro e o próprio MDB.

Numa outra frente Alckmin, busca seduzir o ex-senador tucano e pré-candidato do PODEMOS Álvaro Dias. Este teria os votos que o tucano precisa para sair vitorioso no Sul do país. Pelos números das últimas pesquisas, algo em torno de 5 milhões de votos.

Por fim Alckmin traria para a seu arco de alianças o PP e o PR, dois partidos que, por afinidade fisiológica, se sentiriam à vontade ao lado de DEM e MDB.

Assim o ex-governador paulista conseguiria o maior tempo de TV e rádio e, de quebra, a mais bem estruturada malha partidária nas cinco regiões do país, cobrindo todos os municípios, com a maioria dos deputados estaduais, federais, vereadores e prefeitos. A estrutura dos sonhos de qualquer candidato.

Se esta estratégia se concretizar, realmente, Alckmin costurará, em tese, uma aliança “imbatível”.

Só faltaria convencer os eleitores. Aí são outros quinhentos!

*José Américo Moreira da Silva é jornalista, publicitário e consultor político

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