José Américo Moreira da Silva

José Américo Moreira da Silva – Coordenador do Núcleo de Marketing Institucional e Projetos Especiais da Agência Wys

O movimento grevista começou com uma pauta e até agora (31/06), 11º dia de greve as reivindicações só aumentam.

Por mais incrível que pareça, faltou planejamento de comunicação.

Sim. Todo movimento dessa natureza deve ter um planejamento de comunicação.

Não se trata de defender reserva de mercado para a minha área. Afinal, não precisa ser do ramo para perceber que a comunicação falhou.

No mundo digital – brasileiro-, onde as pessoas fazem do whatsapp seu principal meio de comunicação, a disseminação de informações falsas (fake news) e o surgimento de núcleos independentes de protestos dentro do movimento grevista, permitiu, ao mesmo tempo, o crescimento geométrico da mobilização e da desinformação.

Por falta de definição dos objetivos do movimento, a pauta, inicialmente corporativista (preço do diesel, pedágio, preço do frete), ganhou contornos oportunistas com a inclusão de outros benefícios e seguiu por uma vertente populista (preço da gasolina, etanol, gás de cozinha), na busca de apoio da classe média, a mais atingida pelos efeitos do desabastecimento.

Como se não bastasse, a falta de um planejamento de comunicação com canais oficiais de relacionamento para os diversos públicos-alvos (caminhoneiros, imprensa, governo, sociedade), permitiu o surgimento de infiltrados com objetivos políticos partidários (incitação a golpe militar; deposição do atual governo; diretas já).

Tudo junto e misturado enfraqueceu o movimento.

Confundiu e aterrorizou uma população que, desorientada, despreparada e mal informada sobre os verdadeiros objetivos dos grevistas, sentiu a necessidade de correr para postos de combustíveis e supermercados com receio do desabastecimento, disposta a pagar preços extorsivos, num “salve-se quem puder” digno das sociedades individualistas e hipócritas, que nunca chegarão ao estágio de buscar o tão sonhado bem comum para toda coletividade.

As movimentos sociais, as greves, manifestações podem ser catalisadas em seus propósitos e mobilização pelos meios de comunicação digitais, desde que se apropriem da linguagem e formato de cada canal e rede social.

Caso contrário, podem começar de um jeito e acabar de outro. Bom ou ruim, dependendo da sorte.

Já o Governo…

Este nem se fala. Um bom exemplo de que, ter verba de comunicação, não quer dizer que terá um boa comunicação. Um bate cabeça entra ministros, deputados e senadores da base, e, presidente. Fala de cima pra baixo com a população e de baixo pra cima com os grevistas.

Foi lançar um número de whatsapp direcionado aos caminhoneiros no 10º dia de greve. Chega a ser hilário!

E a Petrobras? Essa só fala para investidores. Esqueceu que precisa tratar seus consumidores como uma parcela importantíssima da empresa. Depende deles financeiramente, além do que, precisa reconstruir sua imagem como “a empresa orgulho dos brasileiros”.

Como a greve ainda não acabou, vamos aguardar o gran finale e suas consequências. A conta vai chegar e todos nós teremos que pagar.

Como podemos observar nesta greve dos caminhoneiros, a comunicação se tornou um grande problema. Planeja-lá ajuda, no mínimo, a diminuir desacertos.

Lembrando Chacrinha, o Velho Guerreiro, “quem não se comunica, se trumbica!”

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