*Por José Carlos Menezes –

Provavelmente nenhum de nós, pobres contribuintes, sabemos como é que funciona de verdade essa tal de Petrobras, uma empresa esquisita que horas se comporta com da iniciativa privada, horas como estatal, responsável, em última instância pela política de preços dos combustíveis do país.

 

Pra começar é bom saber que 80% do combustível consumido no Brasil é feito com petróleo nacional. O restante (20%) é importado. E aí fica aquela pergunta: Por que – então – os preços dos combustíveis no Brasil são corrigidos com base no que acontece no mercado internacional?

 

Se a Petrobras considerasse apenas os custos nacionais de produção poderia portanto vender para o mercado não só o óleo diesel, mas também a gasolina por um preço bem abaixo do atual. Continuaria lucrando, não tanto quanto gostariam os seus acionistas minoritários, mas lucraria e ao contrário do que vivem contando por aí, também não quebraria.

 

Para isso a Petrobras teria que usar mais e melhor as suas refinarias que hoje – pasme o caro leitor, opera com dois terços – apenas – da sua capacidade, coisa denunciada recentemente pelos petroleiros, que infelizmente escolheram uma péssima hora para isso, confundindo o distinto público, como se o dia parado fosse exclusivamente em solidariedade aos caminhoneiros.

 

A essa altura é lícito perguntar: então, quais são os motivos que impedem a empresa de tomar essas atitudes? É preciso ver quem de fato manda na “estatal/privada”. Um grupo de uns 600 mil (sim, gente que não acaba mais), entre pessoas físicas, grandes investidores e os tais fundos de investimento. Esse é o pessoal que se lixa para o tal de interesse social. Do outro lado temos o glorioso governo federal, que detém 63,5% das ações ordinárias (as que dão direito a voto) e 23,3% das ações preferenciais (que não votam). Na outra ponta estão os consumidores (que aqui no Brasil podem ser chamados também de “otários”, ou “patos”, tanto faz), que formam um contingente variado, composto por pessoas físicas, jurídicas, proprietários de automóveis, caminhões etc., etc. Nesta seara que manda de fato é o governo, acionista majoritário, que pode dar, como quiser, as cartas sobre a política da empresa.

 

O problema é que cada vez que esse sócio majoritário se mete na política de preços da companhia, costuma dar as cartas erradas. Duas decisões recentes são a prova. Primeiro a Dilma congelou os preços por tempo demais e quase quebra a empresa (não estamos falando aqui de roubalheira, que é outro assunto). Depois veio o Temer e deixou rolar os aumentos, praticamente diários, com base na paridade internacional, e deu no que deu, afetando não só os consumidores comuns, mas também setores importantes da indústria que utilizam os derivados do petróleo para produzir. Vale ressaltar, que mesmo as pessoas que não possuem automóvel, também fica a mercê das oscilações nos preços dos combustíveis, uma vez que, praticamente toda a produção brasileira é transportada em rodovias e o seu custo reflete nos preços de todos os produtos de consumo.

 

O que precisa ser explicado a opinião pública, e o que tudo indica ninguém tem interesse em tocar nesses assuntos, são os motivos pelos quais a companhia insiste em fazer reajustes com base nos preços internacionais, sendo que a maior parte do petróleo que utiliza é muito mais barato. E mais: porque está diminuindo o ritmo do trabalho nas refinarias?

 

Esse governo, pego de calças arriadas na greve dos caminhoneiros, cujo acordo ainda se arrasta com planilhas de custo de fretes e tudo o mais, sendo refeitas por minuto, precisa também vir a público se explicar. Afinal, trata-se do tal acionista majoritário da Petrobras, que tudo pode quando interessa e que – quando não interessa – faz de conta que não sabe nada do funcionamento da empresa.

 

Queimaram o Pedro Parente, como se ele fosse o único responsável pelas trapalhadas na política de preços. Tiraram o bode da sala, mas não sabem o que colocar no lugar.

 

Enquanto isso, resta ao distinto público esperar que as quedas de braços, entre caminhoneiros, governo e todos os setores que dependem do transporte rodoviário, cheguem a algum final. Por enquanto vai pagando mais caro pelos produtos disponíveis. Mais tarde só Deus sabe o que pode acontecer. O que parece ser mesmo a saída dos sonhos do Governo é que o caso todo vá parar no judiciário. Assim, lava-se as mãos e pronto.

 

Resta saber como as partes envolvidas reagirão. E quanto os “patos” poderão aguentar, caladinhos, pagando as contas. Considerando-se o volume dos problemas que provavelmente virão, não acho que seja uma boa ideia pagar para ver. Até os “patos” têm um limite de tolerância.

*José Carlos menezes é Jornalista, publicitário e consultor político

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