Por José Carlos Menezes*

Quando os cidadãos ficam convencidos que todos os políticos, de todos os partidos, são corruptos, passam a se interessar por outsiders e populistas, que surgem como soluções fáceis para o desencanto dos eleitores. E este é o momento em que a democracia está sob grande ameaça e pode até morrer.

Maduro, exemplo típico de populista

São três os fatores que concorrem para colocar a democracia, na melhor das hipóteses, na UTI: o descrédito dos políticos, a performance ruim da economia e a intensa polarização das ideias. Os três são o cenário perfeito para o surgimento de candidatos que não têm nenhum compromisso com a democracia liberal. Muito pelo contrário, são personagens cujo ideário se baseia do “prendo e arrebento”, na força das suas personalidades, indivíduos amantes do “deixa comigo”, que resolvo todos os problemas, com a minha disposição e a força das minhas ideias. E esse é exatamente o cenário em que vivemos, às vésperas de uma eleição para presidente, governadores e congressistas.

Trump: autoritário e perigoso

Populistas e autoritários vivem do descrédito da política e dos seus principais protagonistas. A operação Lava Jato, a descoberta e o julgamento de boa parte das elites econômicas e políticas do país, envolvidos até o pescoço com a corrupção, criaram um vácuo, na atividade econômica e na política, que pode ser facilmente ocupado pelos inimigos da democracia.O maior perigo para a democracia não está nos golpes militares, nas revoluções armadas. A democracia liberal é uma vítima fácil de presidentes e primeiros-ministros que depois de eleitos “democraticamente” desferem golpes mortais contra esta forma de governo, usando, muitas vez, como arma letal,  as suas próprias instituições. E os exemplos estão aí, por todos os cantos do mundo.

O mal não está no combate a corrupção, o mal está na criminalização de toda a atividade política, no descrédito na opção pela democracia para através dela resolver os nossos problemas sociais, econômicos e políticos. E este é o campo preferido, o cenário perfeito, para o surgimento e atuação dos outsiders e dos populistas.

Cabe aos partidos, aos políticos e aos membros da sociedade civil organizada se unirem, contra os autoritários e populistas, que colocam em risco real todas as conquistas possíveis apenas na democracia liberal. E a polarização radical, quando – sobre qualquer questão – toma-se facilmente um lado ou outro, facilita o caminho para o surgimento dos inimigos da democracia. É preciso estar alerta e forte, como já alertava, faz tempo, a canção.O que eles prometem no geral, cada um no seu estilo e aproveitando a insatisfação da sociedade, é defender o povo das elites tradicionais da política.Só depois de eleitos (democraticamente) é que passam a agir para destruir a democracia, de certa forma enganando os seus eleitores.

*José Carlos Menezes é jornalista e publicitário

11.9.8413-4348

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