23/10/2020

Em entrevista exclusiva ao site da CBF, o Rei do Futebol revela que ainda se pega pensando em tudo o que conquistou e lembra da cobrança do pai, o também jogador Dondinho.https://player.vimeo.com/video/471111218

Ninguém teve tanto sucesso quanto Pelé. Foram mais de 1.200 gols, três Copas do Mundo, dois Mundiais de Clubes, duas Libertadores da América e tantos outros títulos conquistados. Dono da alcunha de Rei, o maior jogador de futebol de todos os tempos está completando 80 anos e, mesmo com toda essa vivência, ainda não conseguiu entender o motivo de tantas glórias em sua trajetória. 

Em entrevista exclusiva ao site da CBF, realizada em fevereiro deste ano, no Guarujá (SP), Pelé conheceu sua estátua, que hoje fica sediada no Museu Seleção Brasileira, e falou sobre as oito décadas de vida que alcança nesta sexta-feira (23). Religioso, o camisa 10 revela que, nos momentos de oração, pede “explicações” a Deus pelo motivo de tanto sucesso e êxito em sua carreira.  

“Por que, Deus? Por que eu fui o escolhido? É uma coisa que é difícil explicar. Porque eu queria ser, durante toda minha vida, igual ao Dondinho, meu pai. E Deus me deu esse presente de acontecer tudo o que aconteceu na minha vida. Então tem hora que eu não sei como explicar, porque é difícil (risos). Até hoje fico me perguntando, orando. Quando estou rezando um terço, às vezes eu pergunto para ele: ‘Jesus, você que sofreu tanto na cruz, me explica: – por que eu sou tão abençoado assim?’ Por vezes, eu tenho que rezar assim, porque não tem uma explicação. Porque só o que eu queria no futebol era ser igual ao meu pai. E Deus me deu tudo isso”, declarou. 

Pelé tinha Dondinho como grande referência, e o histórico atacante do Bauru Atlético Clube cobrava muito do filho. Grato pela inspiração que teve desde o berço, o craque dedica muito de tudo que conquistou ao pai e deixa uma espécie de lição aos mais jovens através dos conselhos que recebeu de seu progenitor. 

“Tenho que agradecer de todo coração, dos Três Corações, da cidade e do lugar de onde eu vim. Agradecer ao meu pai, que exigia que eu fizesse as coisas direito quando era criança. Acho que todo esse sucesso, todas essas vantagens e vitórias da minha vida, eu comecei a aprender quando eu era criança. E eu não sabia que isso podia acontecer. Meu pai sempre dizia: ‘Você tem que ser um grande jogador, uma pessoa excelente. Mas se você não se cuidar, não acreditar na sua saúde e não acreditar em Deus, você não vai ser nada. Não pensa que só porque Deus te deu o dom do futebol e você joga melhor que os garotos, é que você pode ficar brincando e tirando sarro com os outros, não. Você vai ter que se cuidar e se preparar’. E foi isso que eu procurei fazer durante toda a minha vida, na parte física principalmente, porque era o que ele falava que era o mais importante”, acrescentou. 

O Rei do futebol se considera uma pessoa realizada. Mesmo sem entrar mais em campo, Pelé acredita que sua carreira ainda está em andamento e, por isso, considera ter seis décadas na profissão. Ao fazer um balanço da vitoriosa trajetória, o craque garante que não faria nada diferente. 

“Eu tenho que agradecer a Deus e, claro, muitas pessoas também. Agradecer à minha mãe, minha família, por tudo que me apoiaram durante minha carreira. Eu tive algumas contusões, algumas fraturas. Mas, graças a Deus, até o momento – porque isso aqui (entrevista) também faz parte da minha carreira, isso continua a minha carreira. São 60 anos tendo essa alegria e felicidade. Então se eu disser que falta alguma coisa, ou que eu pretendo que tenha mais alguma coisa, acho que Deus vai ficar muito triste comigo, porque ele já me deu muita coisa”, concluiu.

Da Redação com informações da Ascom/CBF

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